sábado, 21 de janeiro de 2017

Carta para a reunião da Pastoral da Juventude que acontece em Crato/CE - Luis Duarte


Amadas e amados jovens e assessores,
Amada Pastoral da Juventude,

É com imenso desejo de unir-me a vocês, reunidos por ocasião da Ampliada Nacional da PJ, que lhes escrevo. Fiquei pensando na beleza, profecia e sonhos que vamos tecendo em toda a PJ Brasil afora e que se encontram agora no Crato. O desejo de Ser-Tão PJ tem movido nossas orações, sonhos e serviços nos últimos tempos.

Na Ampliada Nacional, reúnem-nos nossos sonhos e nossa memória. Olhando os passos que já damos, poderemos celebrar a vida. Encarnando-nos sempre mais em nossas realidades, poderemos ter consciência das barreiras que precisamos romper. E sonhando coletivamente, alimentaremos e renovaremos nossas esperanças.

Penso que o tripé da memória, da organização e da esperança são fundamentais para toda a Pastoral da Juventude, de modo especial nesse tempo da Ampliada e pros próximos anos.

Em tempos de uma sociedade sem memória ou de uma forçada amnésia, como diz Eduardo Galeano, a PJ não pode se eximir da memória. Não podemos esquecer quem somos, os passos dados. Não podemos negar quem nos precederam no serviço à juventude na PJ. Não podemos esquecer de tantos e tantas que são gigantes em doação. Não podemos trair nossos valores, princípios e opções. Mas, não nos enganemos. Há muitos querendo que esqueçamos quem somos. Não seremos quem somos chamados a ser, se não tivermos memória. Não esqueçamos que no centro de quem somos e do serviço que somos chamados a ser e viver, está a opção pela vida em grupo. O grupo de jovens é nosso amor primeiro.

Junto da memória está a organização que somos e sonhamos. Recordemos sempre que nossa organização só tem sentido se gera nucleação, fortalecimento, acompanhamento e formação de grupos de jovens. Alguma coisa nos levou ao grupo. Mas, foi a vida grupal que nos marcou e determinou nossas vidas. Não podemos descuidar da vida de nossos grupos. É dos grupos articulados e organizados que iremos marchar pela vida da juventude. É dos grupos que iremos para as Galileias juvenis. É dos grupos que iremos pautar a defesa da vida. E em tempos de noite neoliberal, organizar grupos é imensamente desafiador. Mas, é o Senhor mesmo que nos envia e acompanha nessa missão grupal.

E junto da organização e da memória está a esperança. Não cabe entre nós o cansaço ou o desânimo. Os tempos são difíceis. Nossas forças podem fraquejar. Mas, não nos é dado o direito de perder a esperança. A falta de esperança é heresia. Onde nos matarem, iremos ressuscitar em serviço à juventude e ao Reino. Vamos seguir transformando o sertão em açude. Sempre que cairmos na tentação da falta de esperança, é preciso olhar para o grupo de jovens, nosso amor primeiro, e renovar a esperança. Não descuidemos da esperança que brota da vida grupal. Lembremos sempre que a falta de esperança é heresia.

E para abraçar cada um e cada uma recordo que na PJ descobrimos o grande mistério e beleza de que não estamos sozinhos. Estamos unidos por profundos laços de amizade.

Que Floris, Gisley, Albano, Herreros, Walderes, Julciene, Mauro, Raimundo, Deusdete, Lourival e tantos e tantas amantes da juventude, estejam presentes nesses dias de Ampliada Nacional da PJ ajudando-nos a não descuidarmos da memória, da organização e da esperança.

Abraços e beijos com saudades,
Luis Duarte
Rio Verde, 21 de janeiro de 2017.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

*Se não quiser adoecer – “Fale de seus sentimentos”* Drazio Varela

 
 
Um texto muito interessante para o exercício do cotidiano, se possível em grupo, para constituir espaços comunitários e favorecer a construção de outro mundo, com mais atenção e cuidado. Katiuska Serafin sugeriu este texto para nossa leitura.

Segue o texto na integra:

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna.. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados.O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..

*Se não quiser adoecer – “Tome decisão”*

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

*Se não quiser adoecer – “Busque soluções”*

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas.Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

*Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências”*

Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro.Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

*Se não quiser adoecer – “Aceite-se”*

A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.

*Se não quiser adoecer – “Confie”*

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

*Se não quiser adoecer – “Não viva SEMPRE triste!”*

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.

*“O bom humor nos salva das mãos do doutor”. Alegria é saúde e terapia.*


Dr. Dráuzio Varella

Texto retirado:

domingo, 15 de janeiro de 2017

Uma carta para a PJ - Luis Duarte

Uma carta escrita de um jovem para outros jovens. Um jovem de Goiás, do Cajueiro escreve para a PJ organizada. É uma carta escrita para toda PJ.
Veja a carta da Integra: 


Queridos/as jovens da PJ do Rio Grande do Sul,

É com alegria que me uno a vocês na realização do Animadores/as da PJ do Rio Grande do Sul. Ao acompanhar de perto e de longe esse encontro e seu processo, fiquei pensando em umas das coisas mais sagradas da PJ em minha vida e sei que nada vida de quase todos/as os/as jovens: a amizade!
Sem dúvida alguma, uma das maiores marcas da PJ nas nossas vidas são as amizades. Sim, na PJ descobrimos os sabores da vida tecida em amizade, esse amor eterno. É no grupo e nos encontros/atividades que vamos cultivando grandes e verdadeiras amizades. É no grupo que descobrimos que seguimos Jesus e nos comprometemos com o Reino de Deus, como um grupo de amigos/as.

Com certeza, cada um/a de vocês pode dizer o nome de dois ou três amigos/as que fez na Pastoral da Juventude. E sabe o mais bonito disso tudo? Daqui a cinco ou dez anos esses/as continuarão sendo amigos/as de vocês. Todos/as que passaram pela PJ levam dela, a marca da amizade.

As amizades tecidas na PJ são amizades duradoras. É que a vida de grupo nos permite amar o/a amigo/a naquilo que ele/a é e não naquilo que desejamos que o/a outro/a seja. Nos permite e nos ajuda a sermos quem somos verdadeiramente e assim acolhermos o/a irmão/ã naquilo que ela/e é.
Ora, se a vida em grupo nos deixa inúmeras marcas e nos deixa a também a grande marca da amizade, é dever nosso garantir que outros/as jovens também possam ser marcados/as profundamente pelo grupo de jovens... Sim, precisamos cuidar dos grupos de jovens de nossas Paróquias e Dioceses para que mais jovens possam fazer a experiência da vida em grupo.

Entre nós não cabe o desânimo ou o cansaço. Somos permanentemente convocados/as a articularmos grupos de jovens. A fazermos formações. A aprofundarmos, em grupo, a nossa identidade, missão, mística, seguimento e serviço.

É fato que haverão momentos difíceis na caminhada de nossas Paróquias e Dioceses. Mas, é fato que não estamos sozinhos. Somos e temos amigos/as na Pastoral da Juventude e juntos/as enfrentaremos e venceremos os desafios. Não duvidemos de nossas capacidades, ainda mais quando estamos unidos/as por profundos laços de amizade.

Sigamos articulando e animando nossos grupos de jovens. Sigamos criando grupos de jovens e animando-os. Todos/as os/as jovens têm o direito de serem marcados pela vida grupal e pela amizade. Não descuidemos de nossos grupos de jovens. Permitamos com nossos serviços que outros/as jovens também façam essa bonita e intensa vivência da amizade em grupo.

Que o Mestre de Nazaré, nosso amigo e irmão, estejam nessa missão. É Ele quem nos convoca e nos envia a articular grupos de jovens e viver profunda e radicalmente a amizade.
Abraços muitos,
Luis Duarte Viera

sábado, 7 de janeiro de 2017

PODE CHAMAR-ME DE FRANCISCO Hilário Dick




Hilário Dick foi provocado por muitas pessoas para ver a série da Netflix sobre o Papa Francisco. Depois muitos de nós queríamos saber como foi o seu olhar e o que lhe provocou como jesuíta.  Eu e Vanildes comentamos sobre a emoção, sobre as tensões de tantas decisões, sobre a música, sobre o compromisso com os pobres, a proximidade com a vida cotidiana. O momento histórico das ditaduras militar e do capital sobre os trabalhadores/as atracando-lhes as possibilidade de vida e de dignidade. Temas que faz pensar na conjuntura que vivemos. Peço que vejam a série de 4 capítulos e também, deixe aqui o seu comentário. Carmem

Hilário deixa suas reflexões sobre a série.

 Ontem assisti, com certa ansiedade e reverência, o documentário sobre o Papa Francisco, da Netflix, atualmente com mais de 80 milhões de assinantes. O caso é que assisti as quatro partes do documentário num fôlego só. Não entendo muito de filme ou filmagem, mas desejava muito ver Pode me chamar de Francisco. Não sei se eu queria ver o Papa (o Francisco) ou o Jesuíta (o Bergoglio), mas vi Pode me chamar de Francisco. Ainda preciso descobrir porque gostaria de me espelhar nele. Acho que vejo e toco nele a utopia. Bergoglio, voltando dos estudos na Europa, foi mandado dar aula num Colégio de ricos, em Córdoba: aulas de literatura. Que cena mais linda aquela do escritor argentino, de fama mundial, cego, falando com aqueles estudantes. Vendo aqueles alunos e observando o Padre Jorge, lembrei-me do Hilário dando aulas no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Ele já era padre, e eu não. Eu era “frater”. Se ele teve que ver seus alunos soltando um porco na sala de aula e no corredor, tive que enfrentar alunos da mesma idade falando-lhes ou impingindo-lhes coisas de literatura brasileira, portuguesa, latina e grega e teoria literária, o que significava, de alguma forma, segurar um bode na sala de aula. Pouco ou nada havia ouvido falar de Bergoglio, então; só sabia que os jesuítas argentinos não eram bem jesuítas porque não haviam aceitado com grande agrado as Conclusões da Congregação Geral 32 dos anos de 1974, Congregação onde Bergolio estivera. Ele era padre novo porque fora ordenado, em Buenos Aires, em 13 de dezembro de 1969, dia depois da Festa de Guadalupe, enquanto eu fui ordenado, em Santa Cruz do Sul no dia 27 de dezembro do mesmo ano – 1969, na festa do apóstolo São João. 

Se, no Brasil, estávamos em anos de ferro (veja-se 1968), em 1969 deu-se o Cordobazo na Argentina, que Bergoglio deve ter visto. Tem vezes em que eu estranho coincidências e desencontros, mas nunca fui superior enquanto ele, já em 1973, era Provincial da Província da Argentina. Se ele nasceu em 17 de dezembro de 1936, eu nasci um pouco depois, em 12 de maio de 1937. Não dá nem meio ano de diferença. Ele pegou os anos muito duros e tenebrosos da Argentina: em 1972 volta Perón; em 1976 dá-se um golpe militar sangrento; de 1973 em diante, fim dos movimentos de jovens. Bergoglio estava no meio disso tudo, como Mestre de Noviços e Provincial. Dá para imaginar?  Ele deve ter sido muito amigo do bispo Angelelli – um bispo profeta e amigo dos pobres e dos homens do interior da Argentina - porque, quando soube do assassinato dele pelos militares, chorou. Angelelli dizia: Não venho para ser servido, mas sim para servir. Servir a todos, sem distinção alguma, nem de classes sociais, nem de modos de pensar ou de crer. Como Jesus, quero ser servidor dos nossos irmãos, os pobres. Nos anos de 1980, após seu provincialato, Bergoglio voltava a Córdoba quando, em 1992, João Paulo II o nomeava bispo.

Falando do documentário, minha primeira estranheza é que ele – no documentário – quase não ri. Embora livre e solto, a vida dele aparece dura, com a dureza da vida por fora e por dentro da Companhia de Jesus. Talvez não convinha... Francisco não é apresentado como jesuíta. Haveria certo escanteio? Todavia, ele vive no meio de uma Buenos Aires carregada de terror político-militar e de pobreza. Basta falar ou recordar a dor horrível das mães procurando seus filhos desaparecidos e o que significou a Guerra das Malvinas com 700 jovens mortos por uma atitude estúpida de militares querendo afirmar certo tipo de nacionalismo besta. Quem vê Bergoglio entrando nas periferias, encontrando sacerdotes ameaçados e mortos, lembra-se do Movimentos dos Sacerdotes do Terceiro Mundo e de tanta outra utopia. Dureza ideológica e de perseguição, dureza e sofrimento de periferias contrastando com o luxo de poucos. Francisco viveu o horror da “Noite dos Lápis” e, naquele automóvel sem chamarizes e com aquela batina rota, Bergoglio ia firme espalhando esperança e distribuindo firmeza.

Se o documentário não me fez ver Bergoglio rindo com aquele sorriso descarado de argentino, fez-me comover, contudo, quando ele chorou, especialmente em duas ocasiões: uma, quando assistia a missa numa das igrejas, na Alemanha, onde simpatizava com as obras de Guardini, e ouvia a história daquela senhora sentada ao seu lado e pedia desculpas porque chorava; outra, quando lhe noticiaram a morte do bispo da região de Rioja – do qual já falei - e Bergoglio sai para um canto, fora de casa, e chora numa esquina de jardim. Ele não era contra a Teologia da Libertação. Inventou outra forma de dizer e praticar o mesmo com palavras menos perigosas. Em 1973 ele estivera na 32ª Congregação Geral dos Jesuítas e teve muita dificuldade em transmitir aos seus companheiros o que lá aprendera - que o serviço da fé a e a promoção da justiça devem formar um casal indissolúvel. Talvez por isso Bergoglio ficou um tanto escanteado entre os jesuítas, mas mostraria mais tarde – como Papa – tudo que significava este casamento. Deve ter sido nestes anos de provincialato de Francisco que o Padre Pedro Arrupe, Geral da Ordem, foi – por assim dizer – quase obrigado a fazer uma visita à Companhia de Jesus na Argentina. Isso, contudo, não vi no documentário.


Bergoglio sente-se muito “em família”, tanto com seus familiares como com as pessoas que procuravam ser família. A dor das “Mães de Maio” se encarna naquela forma bonita de ver a dor dos outros. Que maravilha quando o povo da periferia pega o bispo e o atiram para o ar, fazendo festa depois de uma conquista de permanência de moradia. Transparece, no documentário, um Bergoglio afetivo, evangélico, humilde e educador – assim como já tinha sido nas aulas de literatura em Córdoba. Com aquela pasta preta, cheia de firmeza e de esperança, lá vai Francisco para diferentes Palácios, especialmente o da Justiça, um pouco para as igrejas suntuosas e muito pelos becos que não tem nome, mas só apelido em todos os lugares do mundo. Parece que a pasta preta sempre tinha algo a revelar e a afirmar. Sei que todos os jesuítas deveriam chorar mais que eu vendo este documentário, mas desconfio que uns tantos não vão gostar de ver o que deveria ser o coração de todo jesuíta. Hoje, ainda, li Francisco recordando o que os jesuítas aprenderam ou deveriam ter aprendido há mais de 500 anos: “a pobreza é mãe e muro” – gera vida e defende.
P. Hilário Dick
Janeiro de 2017

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2017 - Tempo de renovar a esperança e organizar com coragem para cuidar do mundo

 
 
Nós do Cajueiro nos juntamos ao poeta para desejar que 2017 seja o tempo para renovar a esperança. Feliz Ano Novo! Coragem.


Cortar o tempo

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. 
Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. 
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez 
com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente... 

Para você, Desejo o sonho realizado. 
O amor esperado. A esperança renovada. 
Para você, Desejo todas as cores desta vida. 
Todas as alegrias que puder sorrir. 
Todas as músicas que puder emocionar. 

Para você neste novo ano, 
desejo que os amigos sejam mais cúmplices, 
que sua família esteja mais unida, 
que sua vida seja mais bem vivida. 

Gostaria de lhe desejar tantas coisas... 
Mas nada seria suficiente... 
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. 
Desejos grandes... 
e que eles possam te mover a cada minuto,
no rumo da sua FELICIDADE!!!"

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Carta final do Seminário Nacional Realidades Juvenis

 

CARTA FINAL DO SEMINÁRIO NACIONAL REALIDADES JUVENIS


“Estamos pelas praças e somos milhões!”

Nós, participantes do Seminário Nacional Realidades Juvenis, somos mulheres e homens, na grande maioria jovens, de todas as regiões geográficas do Brasil, de Santa Catarina a Roraima, da Bahia ao Mato Grosso, e das mais variadas expressões culturais e político-sociais. Abrimos nossos olhos, ouvidos e sentidos para partilhar nossas realidades sociais e identitárias, na concretude do chão em que estamos, iluminando-as com a mística ecumênica libertadora, a poesia e o canto, e o testemunho das profetizas e dos profetas do povo de ontem e de hoje.
Nos reunimos entre os dias 18 a 20 de novembro de 2016, em Itaquera, periferia da cidade de São Paulo, neste momento de inverno democrático do nosso país e de efervescências de novas formas de organização e manifestações juvenis. A partir dessa experiência que vivemos durante os dias do seminário e do debate feito, nos posicionamos por meio desta carta para denunciar o que fere a vida das juventudes, do campo e da cidade, das escolas e das ruas, especialmente a juventude pobre da classe trabalhadora, e para defender o seu direito de existir e de se manifestar.
O Papa Francisco, na conclusão do III Encontro Mundial dos Movimentos Populares no último dia 05 de novembro, exortou: “Quem governa então? O dinheiro. Como governa? Com o chicote do medo, da desigualdade, da violência econômica, social, cultural e militar que gera sempre mais violência em uma espiral descendente que parece não acabar nunca”.
Eis o que denunciamos:
  • O endurecimento do processo de exclusão e exploração das pessoas pobres na atual fase do capitalismo neoliberal;
  • O explícito retrocesso cotidiano dos direitos conquistados pelas juventudes;
  • A criminalização da juventude pobre e periférica, principalmente a juventude negra, alvo do Estado penal que opera na lógica do punitivismo, do encarceramento e da violência policial, que se configura como um verdadeiro genocídio dessa juventude;
  • A mídia hegemônica, concentrada nas mãos de algumas poucas famílias, políticos e igrejas, que estereotipa e criminaliza a juventude pobre, representando e veiculando apenas a sua versão da realidade, seguindo os interesses do capital e dos grupos privilegiados da sociedade;
  • A criminalização dos movimentos e das lutas populares, coletivamente ou através da perseguição pessoal de lutadoras/s e ativistas sociais;
  • O poder deletério do mercado e do capital sobre a educação e demais direitos sociais, atualmente naturalizado nas lamentáveis PEC 55 (teto dos gastos públicos) e da MP 746 (reforma do Ensino Médio);
  • Os discursos despolitizantes que esvaziam a proposta de uma educação crítica e libertadora, como são os casos dos discursos da “escola sem partido”;
  • O latifúndio e o agronegócio que ceifam vidas e oportunidades juvenis e impede o desenvolvimento da agricultura familiar e camponesa;
  • O machismo e o patriarcado, a LGBTfobia e o racismo, que estruturam as relações sociais e ferem a dignidade e a vida das mulheres, da população LGBT, e das/os negras/os.

“O meu desejo é a vida do meu povo”, disse Ester (cf. Es 7,3). E esse é também o nosso desejo. Por isso defendemos:
  • O valor da vida acima do dinheiro e do mercado, em uma sociedade efetivamente democrática e justa;
  • O fim do genocídio da juventude pobre, preta e periférica, do encarceramento em massa e da política de “guerra às drogas”. É urgente uma nova política de drogas e sua descriminalização, bem como a desmilitarização da polícia, da política e da vida;
  • O campesinato como projeto político e agrário para o campo brasileiro, que contemple as/os jovens e promova a integralidade de suas vidas, e uma Reforma Agrária ampla, verdadeira e popular;
  • Uma escola pública e gratuita, com efetiva participação das/os jovens estudantes e professoras/es e comunidades, sem o assédio do capital;
  • O respeito e afirmação das culturas originárias, destacadamente a indígena e a quilombola, assim como a arte e a cultura periféricas e marginais;
  • A real inclusão, empoderada, de pessoas com deficiência, especialmente jovens, nos nossos espaços internos, e também em espaços públicos e políticos, não meramente em forma discursos assistencialistas e tuteladores;
  • A luta, a caminhada e as organizações das mulheres que propõem e engendram novas práticas e relações, desvelando, denunciando e combatendo o machismo estrutural;
  • O fim do monopólio da grande mídia, e a necessidade da regulamentação e do controle popular dos meios de comunicação social;
  • As manifestações, as organizações e as lutas das juventudes na construção e na defesa dos seus direitos, suas culturas e seus sonhos, reconhecendo a legitimidade dessas formas de reivindicação, a exemplo das milhares de ocupações em escolas, institutos federais e universidades no país;
  • O total respeito à religiosidade do povo e às suas diversas e ricas manifestações de fé, reafirmando o ecumenismo e o diálogo interreligioso, assim como o direito de professar ou não uma fé.
  • O diálogo intergeracional em torno das urgências ambientais, na corresponsabilidade de cuidado com a Mãe Natureza, nossa Casa Comum, bem como uma agenda ambiental que comprometa a sociedade civil e os poderes políticos na construção de alternativas reais de superação da atual crise socioambiental.

Compreendemos que essas linhas de denúncias e de defesas podem gerar também uma rede de solidariedade entre as lutadoras e os lutadores, entre as pessoas que doam suas vidas de forma generosa e gratuita para a construção do Outro Mundo Possível, e queremos nos reafirmar em torno dessas lutas. Vidas movidas por grandes causas alcançam Horizontes inimagináveis!
Em tempos de crise política e institucional, de encruzilhada, renovamos nossas opções radicais pelas/os pobres e por um mundo plural, diverso, sustentável, justo e igualitário, onde haja lugar para todos os mundos possíveis. Temos e fazemos memória da História, aquela contada pelas pequenas e pequenos, que ensinam a dignidade de lutar sonhando sonhos coletivos, e de defender esses sonhos até as últimas consequências.
Esse tempo de crise, as opções feitas e o acúmulo histórico nos fazem perceber que está para nascer um novo ciclo político, institucional e também eclesial, e nós apontamos para essa direção, sem medo do novo. E é do meio das/os pobres, das camadas mais populares, que a novidade vem!
Instigadas e instigados por tudo que vivemos e ouvimos, seguimos em marcha para que todas as jovens e todos os jovens “tenham vida, e vida plena!”.
 Assinam essa carta as e os participantes do Seminário Nacional Realidades Juvenis.
São Paulo/SP, 20 de novembro de 2016, Dia da Consciência Negra.

sábado, 26 de novembro de 2016

LANÇAMENTO: Rodas de Conversas - Políticas Públicas da/sobre/para Juventudes




"Em cada página  desta publicação, em que se evidencia a complexa e desafiante construção do “campo da juventude”, o leitor poderá perceber a presença de diferentes atores. Entre os quais, com muito destaque, está Lourival Rodrigues da Silva". Regina Novaes.

Este material tem uma história. Ele acompanha a luta para a construção das Políticas Públicas de Juventude. Lourival, Vanildes, Alessandra se dedicam a formação de lideranças sobre o tema. Lourival participa da criação do Conselho Nacional de Juventude e da Secretaria Nacional de Juventude, no Estado e no Município. 

As rodas de conversas foram usadas em várias atividades de formação. Lourival realizou em vários lugares do Brasil, onde assessorou o tema. Samuel trabalhou na Diocese de Goiás. E várias pessoas que passaram por este caminho que agora vira um material.

Desejamos muito que este material fosse visto pelo Lourival antes de partir. Fizemos um esforço, porém ele partiu antes. E ficamos nós com a tarefa de publicar. Vanildes sugeriu Regina Novaes, uma antropóloga, responsável por um caminho de construção das políticas públicas com a juventude. Fizemos o convite. Ela aceitou em meio a um turbilhão de compromissos no Brasil e fora dele. Nossa gratidão! 

Na ultima semana de vida do Lourival, quando vi que ele não iria esperar a publicação. Era para ser surpresa. Contei a ele. Disse que estávamos trabalhando as rodas de conversa. Ele ficou feliz. E disse não tenho forças para conversar mais sobre o tema. Perguntei então, que cor deveria ser as rodas? Ele disse com um sorriso, laranja!

Felipe e Alex Pierro estiveram junto neste caminho com o grupo que sonhou este material. Eles apresentam o material. É uma construção solidária e amorosa de várias pessoas. Miriam, coordenadora do grupo de pesquisa, assumiu o material para que tivesse uma parte de financiamento da FAPEG, Alessandra e Vanildes fizeram esforços para buscar apoio financeiro. Berg e Wolney cuidaram da beleza do material. William Bonfim cuidou do texto para que ele ficasse agradável. Divina como sempre fez uma cuidadosa revisão.

Agora apresentamos as rodas para você! Quatro rodas para conversar sobre o tema das políticas públicas. Só produzir este material não significa nada. Queremos encontrar uma dinâmica para que à juventude, empobrecida de modo especial, possa refletir e construir seus direitos na garantia de políticas públicas.

Que tal, em 2017, realizarmos a Campanha a Juventude quer Viver com toda a força, utilizando as rodas de conversas?  Este tempo pede de nós respostas imediatas e inteligentes. Como podemos preparar pessoas para atuar a favor da vida? Como retomar a campanha a Juventude quer viver?

Agora a tarefa é de toda pessoa que acredita em um mundo melhor. Organizar em cada espaço encontros que provoquem rodas de conversas sobre temas do interesse da juventude. Repensar a Campanha A Juventude quer viver com saúde, educação, transporte, segurança, lazer.... 2017 será um tempo novo. Tempo de retomar o caminho com força total. 

Nosso esforço em organizar as publicações é dentro do comercio justo e solidário. Por isto, os valores estão sempre ao alcance da juventude e, ainda, o valor arrecadado está revertido para as publicações de novos ou para novas edições dos materiais que temos.

Como você pode adquirir o seu exemplar? Escreva para email livraria@cajueiro.org.br 
para pedir as Rodas de Conversas - valor unitário R$ 7,00. As compras acima de 30 exemplares a promoção de R$ 6,00 a unidade e acima de 100 exemplares será de R$ 5,00 a unidade.

Esperamos os seus pedidos. Conheçam outros materiais Loja Livraria Cajueiro
Goiânia, novembro/2016 
Carmem Lucia Teixeira