sábado, 31 de agosto de 2013

Crítico, Criativo e Cuidante - Leonardo Boff



O texto do Leonardo Boff - Crítico, criativo e cuidante sintetiza em uma página três eixos para pensar sobre a prática educativo. Aqui nós do Centro de Juventude Cajueiro queremos propor um debate sobre o texto.
Esperamos a presença dos educadores/as fazendo o destaque de uma frase, uma ideia que concorda e, também, ideias que você ao ler o texto apresenta outros pontos de vista.

CRITICO, CRIATIVO E CUIDANTE - PORTUGUES/ LEONARDO BOFF

Críticos, creativos, cuidadores1 -español - Leonardo Boff
Foto - arquivo Cajueiro.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Juventude e espiritualidade - Hilário Dick


Aqui você pode estudar/refletir sobre Juventude e espiritualidade. Este texto foi escrito para a Campanha da Fraternidade em um material organizado pelos Maristas. Hilário e várias outras pessoas contribuíram com o material.

O texto do Hilário nos ajuda a ampliar a compreensão do tema espiritualidade. Ele nos desafia a pensar vários elementos importantes para compreender este caminho de formação.

Vamos comentar, dizer de nossa opinião aqui no blog. Construir um diálogo sobre Juventude e Espiritualidade dizendo outros aspectos, concordando ou discordando do Hilário. Que tal esperamos você.

Foto - Carmem, praia de Camocin/Ceará.


TEXTO SOBRE A ESPIRITUALIDADE JUVENIL

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Em Betânia, a festa: brindemos a juventude!


“Consideramos justa toda forma de amor.”
[Lulu Santos]

A Pastoral da Juventude a caminho de Jerusalém vive neste ano a Mística de Betânia. Com a juventude e com Jesus, nesse lugar, vamos descobrindo o valor da festa. Por falar em festa, a PJ celebra em 2013 os 40 anos de caminho, de história, de opção verdadeira pelos/as jovens. É isso que queremos brindar!

Há 40 anos, a Pastoral da Juventude dava seus primeiros passos no amor e no serviço a Jesus e aos/as jovens. Quantas histórias há nesse caminho percorrido. E quanta vida há nessas histórias. Quantos jovens, assessores/as, padres, religiosos/as, bispos tem e tiveram suas vidas marcadas pela PJ e marcaram a PJ com suas vidas.

Celebrar os 40 anos da PJ desde Betânia tem um sabor especial. Junto com Jesus e com os/as jovens, na partilha, na escuta, na opção pela vida, no encontro, no comer e beber. Vivendo a humanidade e alimentando-nos para ir em missão. Celebramos e damo-nos conta de que essa celebração nos remete à fidelidade, causa, perdão, esperança, memória e sonho.

Em Betânia testemunhamos Jesus que é fiel à vontade do Pai, que é fiel as seus amigos/as. Testemunhamos Jesus que é fiel à opção radical da vida plena para todos. De Betânia, olhando para o caminho da PJ somos testemunhas, com Jesus e com a juventude, de que é um trajeto de fidelidade. Fidelidade ao seguimento e à opção pela juventude. Fidelidade ao projeto de Jesus: o Reino de Deus, a Civilização do Amor. Se renovamos essa fidelidade, por outro lado, clamamos perdão por quando essa atitude faltou. A incoerência e a fraqueza são partes do caminho. Perdoa-nos, Jesus de Betânia, pelo nosso descuido com a memória e com a juventude e, de maneira especial, com o Teu projeto.

Estar em Betânia certamente inundava Jesus de esperança. O encontro com quem amamos possibilita isso. Como seguidores/as de Jesus somos o povo da esperança. Se fraquejamos na esperança fraquejamos no Seguimento. Festejar a vida é alimentar-se de esperança. Celebrar a Eucaristia é comer e beber a esperança. Por isso, 40 anos, é fonte desse mesmo sentimento e atitude.

Contemplar Jesus em Betânia é nos encontrarmos e ouvirmo-Lo contando memórias de Sua vida e Seu caminho. Quantas histórias, quantas memórias o Nazareno fez em Betânia pros seus amigos. Festejar os 40 anos deve ser para nós este tempo de contar histórias e memórias e, assim, fortalecer a Pastoral da Juventude com nossas vidas.

Ao festejar a vida também devemos nos lançar para frente. É tempo de sonhar. Em Betânia Jesus partilhou seus sonhos com seus amigos/as e ali também teceu sonhos. Qual nosso sonho para a juventude? Qual o sonho do nosso grupo de jovens? O que sonhamos para a PJ nos próximos anos?

Betânia e a Festa de 40 anos da PJ, nesse mês vocacional, mês do sim e do não, nos ajudem a seguirmos tecendo com a juventude e com Jesus esta história de amor e de serviço na construção do Reino. A festa é o lugar da juventude, do encontro, da partilha, de Jesus, do amor: um grande brinde a tudo isso que nos faz mais gente!

No delicioso cheiro das comidas e bebidas que alimentam a vida e a história, seguimos o caminho rumo a Jerusalém com a juventude e com Jesus, festejando e celebrando sempre!

Pe. Maicon André Malacarne – Assessor da PJ na Diocese de Erexim/RS
Luis Duarte Vieira – Militante da PJ e noviço admitido à Companhia de Jesus

Ilustração - Aurélio Fred - Vitória da Conquista/BA

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Carta aos bispos do Brasil por Pedro Casaldáliga, Tomas Balduíno e José Maria


A carta escrita por três bispos da Igreja Católica. Eles são bispos eméritos, ou seja, não estão acompanhando nenhuma Igreja/Diocese. A carta tem o sabor que nasce da sabedoria dos velhos. Recuperar a tradição, pensar no amor primeiro. A carta é de três profetas da Igreja Católica do Brasil.

Segue a carta.



CARTA AOS BISPOS DO BRASIL - Bispos Eméritos escrevem aos Bispos do Brasil

15 de agosto de 2013, Festa da Assunção de Nossa Senhora.

Queridos irmãos no episcopado,
Somos três bispos eméritos que, de acordo com o ensinamento do Concílio Vaticano II, apesar de não sermos mais pastores de uma Igreja local, somos sempre participantes do Colégio episcopal, e junto com o Papa, nos sentimos responsáveis pela comunhão universal da Igreja Católica.
Alegrou-nos muito a eleição do Papa Francisco no pastoreio da Igreja, pelas suas mensagens de renovação e conversão, com seus seguidos apelos a uma maior simplicidade evangélica e maior zelo de amor pastoral por toda a Igreja. Tocou-nos também a sua recente visita ao Brasil, particularmente suas palavras aos jovens e aos bispos. Isso até nos trouxe a memória do histórico Pacto das Catacumbas.
Será que nós bispos nos damos conta do que, teologicamente, significa esse novo horizonte eclesial? No Brasil, em uma entrevista, o Papa recordou a famosa máxima medieval: “Ecclesia semper renovanda”.
Por pensar nessa nossa responsabilidade como bispos da Igreja Católica, nos permitimos esse gesto de confiança de lhes escrever essas reflexões, com um pedido fraterno para que desenvolvamos um maior diálogo a respeito.

1. A Teologia do Vaticano II sobre o ministério episcopal
O Decreto Christus Dominus dedica o 2º capítulo à relação entre bispo e Igreja Particular. Cada Diocese é apresentada como “porção do Povo de Deus” (não é mais apenas um território) e afirma que, “em cada Igreja local está e opera verdadeiramente a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica” (CD 11), pois toda Igreja local não é apenas um pedaço de Igreja ou filial do Vaticano, mas é verdadeiramente Igreja de Cristo e, assim a designa o Novo Testamento (LG 22). “Cada Igreja local é congregada pelo Espírito Santo, por meio do Evangelho, tem sua consistência própria no serviço da caridade, isto é, na missão de transformar o mundo e testemunhar o Reino de Deus. Essa missão é expressa na Eucaristia e nos sacramentos. Isso é vivido na comunhão com seu pastor, o bispo”.
Essa teologia situa o bispo não acima ou fora de sua Igreja, mas como cristão inserido no rebanho e com um ministério de serviço a seus irmãos. É a partir dessa inserção que cada bispo, local ou emérito, assim como os auxiliares e os que trabalham em funções pastorais sem dioceses,todos, enquanto portadores do dom recebido de Deus na ordenação são membros do Colégio Episcopal e responsáveis pela catolicidade da Igreja.

2. A sinodalidade necessária no século XXI
A organização do papado como estrutura monárquica centralizada foi instituída a partir do pontificado de Gregório VII, em 1078. Durante o 1º milênio do Cristianismo, o primado do bispo de Roma estava organizado de forma mais colegial e a Igreja toda era mais sinodal.
O Concílio Vaticano II orientou a Igreja para a compreensão do episcopado como um ministério colegial. Essa inovação encontrou, durante o Concílio, a oposição de uma minoria inconformada. O assunto, na verdade, não foi suficientemente amarrado. Além disso, o Código de Direito Canônico, de 1983 e os documentos emanados pelo Vaticano, a partir de então, não priorizaram a colegialidade, mas restringiram a sua compreensão e criaram barreiras ao seu exercício. Isso foi em prol da centralização e crescente poder da Cúria romana, em detrimento das Conferências nacionais e continentais e do próprio Sínodo dos bispos, este de caráter apenas consultivo e não deliberativo, sendo que tais organismos detêm, junto com o Bispo de Roma, o supremo e pleno poder em relação à Igreja inteira.
Agora, o Papa Francisco parece desejar restituir às estruturas da Igreja Católica e a cada uma de nossas dioceses uma organização mais sinodal e de comunhão colegiada. Nessa orientação, ele constituiu uma comissão de cardeais de todos os continentes para estudar uma possível reforma da Cúria Romana. Entretanto, para dar passos concretos e eficientes nesse caminho – e que já está acontecendo – ele precisa da nossa participação ativa e consciente. Devemos fazer isso como forma de compreender a própria função de bispos, não como meros conselheiros e auxiliares do papa, que o ajudam à medida que ele pede ou deseja e sim como pastores, encarregados com o papa de zelar pela comunhão universal e o cuidado de todas as Igrejas.

3. O cinquentenário do Concílio
Nesse momento histórico, que coincide também com o cinqüentenário do Concílio Vaticano II, a primeira contribuição que podemos dar à Igreja é assumir nossa missão de pastores que exercem o sacerdócio do Novo Testamento, não como sacerdotes da antiga lei e sim, como profetas. Isso nos obriga colaborar efetivamente com o bispo de Roma, expressando com mais liberdade e autonomia nossa opinião sobre os assuntos que pedem uma revisão pastoral e teológica. Se os bispos de todo o mundo exercessem com mais liberdade e responsabilidade fraternas o dever do diálogo e dessem sua opinião mais livre sobre vários assuntos, certamente, se quebrariam certos tabus e a Igreja conseguiria retomar o diálogo com a humanidade, que o Papa João XXIII iniciou e o Papa Francisco está acenando.
A ocasião, pois, é de assumir o Concílio Vaticano II atualizado, superar de uma vez por todas a tentação de Cristandade, viver dentro de uma Igreja plural e pobre, de opção pelos pobres, uma eclesiologia de participação, de libertação, de diaconia, de profecia, de martírio... Uma Igreja explicitamente ecumênica, de fé e política, de integração da Nossa América, reivindicando os plenos direitos da mulher, superando a respeito os fechamentos advindos de uma eclesiologia equivocada.
Concluído o Concílio, alguns bispos – sendo muitos do Brasil – celebraram o Pacto das Catacumbas de Santa Domitila. Eles foram seguidos por aproximadamente 500 bispos nesse compromisso de radical e profunda conversão pessoal. Foi assim que se inaugurou a recepção corajosa e profética do Concílio.
Hoje, várias pessoas, em diversas partes do mundo, estão pensando num novo Pacto das Catacumbas. Por isso, desejando contribuir com a reflexão eclesial de vocês, enviamos anexo o texto original do Primeiro Pacto.
O clericalismo denunciado pelo Papa Francisco está sequestrando a centralidade do Povo de Deus na compreensão de uma Igreja, cujos membros, pelo batismo, são alçados à dignidade de “sacerdotes, profetas e reis”. O mesmo clericalismo vem excluindo o protagonismo eclesial dos leigos e leigas, fazendo o sacramento da ordem se sobrepor ao sacramento do batismo e à radical igualdade em Cristo de todos os batizados e batizadas.
Além disso, em um contexto de mundo no qual a maioria dos católicos está nos países do sul (América Latina e África), se torna importante dar à Igreja outros rostos além do costumeiro expresso na cultura ocidental. Nos nossos países, é preciso ter a liberdade de desocidentalizar a linguagem da fé e da liturgia latina, não para criarmos uma Igreja diferente, mas para enriquecermos a catolicidade eclesial.
Finalmente, está em jogo o nosso diálogo com o mundo. Está em questão qual a imagem de Deus que damos ao mundo e o testemunhamos pelo nosso modo de ser, pela linguagem de nossas celebrações e pela forma que toma nossa pastoral. Esse ponto é o que deve mais nos preocupar e exigir nossa atenção. Na Bíblia, para o Povo de Israel, “voltar ao primeiro amor”, significava retomar a mística e a espiritualidade do Êxodo.
Para as nossas Igrejas da América Latina, “voltar ao primeiro amor” é retomar a mística do Reino de Deus na caminhada junto com os pobres e a serviço de sua libertação. Em nossas dioceses, as pastorais sociais não podem ser meros apêndices da organização eclesial ou expressões menores do nosso cuidado pastoral. Ao contrário, é o que nos constitui como Igreja, assembleia reunida pelo Espírito para testemunhar que o Reino está vindo e que de fato oramos e desejamos: venha o teu Reino!
Esta hora é, sem dúvida, sobretudo para nós bispos, com urgência, a hora da ação. O Papa Francisco ao dirigir-se aos jovens na Jornada Mundial e ao dar-lhes apoio nas suas mobilizações, assim se expressou: “Quero que a Igreja saia às ruas”. Isso faz eco à entusiástica palavra do apóstolo Paulo aos Romanos: “É hora de despertar, é hora e de vestir as armas da luz” (13,11). Seja essa a nossa mística e nosso mais profundo amor.
Abraços, com fraterna amizade.
Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba.
Dom Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás.
Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Que sabedoria é essa que vem do meu povo?




“Que sabedoria é essa que vem do meu povo,
é o Espirito Santo agindo de novo”

Dez anos já se passaram do grande encontro entre o Centro de Estudos Bíblicos e a Casa da Juventude, duas entidades irmãs que se juntaram para celebrar juntas 25 e 20 anos. Um grande encontro do povo da palavra que com alegria, risos, canções, histórias, cirandas, ditos populares, se encontraram no chão sagrado da capital do Estado de Goiás - Goiânia, para celebrar sua caminhada, sua memória, sua sabedoria. Sabedoria espalhada na vida de tantos e tantas que vieram de diversos lugares, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Amapá, gente encantada pela Bíblia que aprendeu a ler de um jeito popular e apaixonada pelas juventudes com sua ousadia e com seus jeitos de ser e de amar.

Sabedoria foi a palavra que nos movimentou naquele encontro, que nos fez reconhecer e reafirmar que somos gente da história, porque temos nossa história pessoal, social, local e porque temos como história as histórias e memórias da Bíblia, livro sagrado que acolhemos e abraçamos como nossa história, história de gente nossa, história que mistura sabedorias populares, poderosas, perigosas... E por isso, exige sabedoria na leitura, na observação das palavras, dos gestos, das atitudes, da escrita... Para que seja fonte de libertação e não instrumento de opressão.

Sabedoria foi um tempo de ousadia, Sandro Galazzi nos ajudou a trilhar pelas histórias e caminhos da Bíblia e refletir sobre a sabedoria como profecia e mística. E como tal é uma senhora exigente, que nos convoca a estarmos atentos e atentas para o que aprendemos, o que reconhecemos como sabedoria, seja na leitura popular da bíblia, seja nos estudos de teologia, seja nos estudos acadêmicos... O que queremos com Sabedoria? A sabedoria bíblica que se revela como profecia e mística convoca-nos a um saber para a construção do Bem Viver, que se traduz em cuidado com a vida. Que se revela nos pobres da terra, que se manifesta na luta pelos direitos humanos, pela solidariedade, contra os individualismos, as injustiças. Que se transfigura em marchas, em manifestações como as que estamos vivendo nesses dias no nosso Brasil, motivadas pelas juventudes que com sua ousadia enchem as ruas de profecia.

Dez anos depois desse encontro o CEBI continua sua caminhada, sempre convidado a alargar mais sua tenda impulsionado por uma leitura que provoque a libertação dos empobrecidos, abertura para a vivência do ecumenismo, do diálogo inter-religioso, da ecologia, de relações mais igualitárias entre homens e mulheres, sendo assim Sabedoria espalhada, semente teimosa.

A Casa da Juventude Pe. Burnier já não é mais a mesma, já não abriga mais todos os projetos, sonhos, jovens e pessoas de antes. Mas a experiência e a sabedoria acumulada nesses quase 30 anos, ensinou a pisar passos fortes e ousados, e que da velha árvore, novos brotos nascem, e nasce em forma de Cajueiro, com desejo de continuar sendo palavra e sabedoria espalhada pelo mundo na defesa da vida da juventude e fiel à palavra que não passou por ela em vão, mas que deixou muitos sinais.

Sabedoria, profecia, mística e ousadia, que esse seja nosso fazer e nossa oração de todo dia. Amém! Axé! Auere! Aleluia!

(Fazer memória desse encontro de Sabedoria, não tem como não lembrar do amigo /irmão/companheiro Deusdete que nos deixou no início deste ano, ele era desses lugares (CEBI e CAJU)  e muito nos ensinou com sua sabedoria transfigurada em alegria e em beleza. Dedico esse texto a ele).

Vanildes Gonçalves dos Santos é Colaboradora do CEBI (coordenadora do CEBI Virtual); Colaboradora do Cajueiro – Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa sobre Juventude; Professora da Universidade Católica de Brasília.

foto - Carmem Lucia Teixeira - Murici (flor do cerrado) o povo sempre usa para dar sabor a vida.



sábado, 17 de agosto de 2013

Fraternidade em campanha com a juventude

Queremos discutir a juventude e a violência, pretendendo refletir sobre juventude e fraternidade, tema da Campanha da Fraternidade de 2013. Fiquei pensando, muitos dias, sobre o que provocaria nosso pensamento a voar e pensar este tema, relacionando Juventude e Fraternidade com violência.
Primeiro, pensei em fraternidade. Fui buscar o significado da palavra. Ela nos fala de relações de irmandade. A palavra encontra-se, também, no primeiro decreto da Declaração dos Direitos Humanos “devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. Violência é uma palavra que está em oposição à fraternidade e juventude. Quando praticamos a violência estamos deixando de lado a nossa humanidade, ou seja, perdemos a nossa condição de seres com capacidade de irmanar-nos; o outro passa a ser de outra espécie. Não o reconheço como irmão/irmã e, por isto, posso violar seus direitos à vida.

Depois pensei em algo similar, o medo. Mia Couto, um escritor e professor, Africano, nascido em Moçambique, em seu pronunciamento na Conferência de Estoril/2011, afirma que o medo é nosso primeiro educador. Diz que o medo nos aprisiona no que é conhecido, nos convence em ficar preso em nossas fronteiras e impede de conhecer outros mundos, outros pensamentos para além do conhecido. Nem sempre o familiar é seguro. O familiar contém o movimento do estranhamento que gera em nós conflitos e possibilidades de crescer. Este “familiar” também contem ingredientes capazes de nos acomodar. 
Clique no link para ler o texto completo. Se puder, comente no blog, o que você achou do texto. Com que você concorda ou com que discorda?

FRATERNIDADE EM CAMPANHA COM A JUVENTUDE

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Selecionados/as para o Curso pré-universitário/Vestibular


Segue a lista das pessoas selecionadas para participar do Curso em preparação para a Universidade (pré-universitário/vestibular). Recebemos 332 inscrições. Fizemos uma pré-seleção de 89 pessoas e estamos divulgando agora, as 60 pessoas selecionadas para o curso.

Pedimos para todas as pessoas selecionadas enviar a confirmação da sua matrícula. Escreva uma mensagem para a Graça  no e-mail: preuni.cajueiro@gmail.com até o dia 17/08. Você receberá por e-mail as informações sobre o local onde serão as aulas na PUC.
Telefones para contato:
Vivo - 96404618
Tim - 82854436
Oi -  86318557
Claro - 94226625

As aulas iniciam no dia 19 de agosto, às 19h. A aula será na  "Sala  do PROA" (que é o Programa de Apoio Acadêmico) na área II. Localizada na Praça Universitária.

PREENCHA O FORMULÁRIO E ENVIE

 Tragam material para anotação.

LISTA DAS PESSOAS SELECIONADAS PARA O PRE-UNIVERSITÁRIO CAJUEIRO

ALINE PEREIRA DA SILVA
AMANDA FERNANDES DE MIRANDA
ANDRE RODRIGUES DE SOUZA
ATANIEL DOS SANTOS BRITO
BARBARA CRISTINA SILVA TEIXEIRA
BENEDITO RODRIGUES LUSTOSA
BRUNNA TAVARES MARCELINO
CLARA MARIA GONZAGA VIEIRA
DANIEL  MIRANDA MARINHO
DAYANE MACEDO
ELENI PINTO DE JESUS
ELIETE BATISTA TORRES LOPES
FABRICIO RIBEIRO DA SILVA
FERNANDA CARDOSO DE OLIVEIRA
FERNANDA GUIMARAES LOPES
GRAZIELLY DE SOUZA COSTA
GUSTAVO RAFAEL SOUSA TEODORO
HALANNA SHUEYLA O.NASCIMENTO
HYURE ROBERTT LAGARES DE JESUS
JAQUELINE GOMES P DE ARAUJO
JESSICA DE OLIVEIRA SILVA
JÉSSICA LUCIANO F. BARBOSA
JÉSSYCA CARVALHO DOS SANTOS
JOIELEN FLORES DE OLIVERIA
JOSÉ HENRIQUE S. DOS SANTOS
JOSELINO DOS SANTOS NETO
JOSIANE TEODORA DA SILVA
JULIANA CIPRIANA SILVA
KALITA DE SOUZA ANDRADE
KEILA CRISTINA SOARES FREITAS
LAIZ FERREIRA REGO
LAURINÊS MARTINS DA SILVA
LUANA  MENEZES   DE LEANDRO
LUCAS FELICIO DA SILVA
LUCAS GONÇALVESLEITE
LUIZA CRISTINA RODRIGUES  SOUSA
MARCIO VINICIUS M. DOS SANTOS
MARIA CAROLINE D. SILVA
MICHELI SILVA DE SOUSA
PEDRO HENRIQUE DA C. PESSOA
RICHARD MARTINS CHAGAS LEMES
RONAN ANTONIO DA SILVA
ROSA COSTA LIMA ALVES
SASKYA GABRIELA S. RIBEIRO
TALINE LIMA DE SOUZA
TATIANE COSTA VALADAO
TATIANE NUNES FERREIRA SANTOS
TATIANE SALES BEZERRA MENDES
THALITA ALVES BARBOSA
THIAGO MENEZES
URANIA CRISTINE T. DE MATINADA
VERÔNICA MARIA CAMÕES
VIVIANE FRANCISCA BERNARDO
WALISON ANDRADE OLIVEIRA
WANESSA HELLEN C. FERNANDES
WANESSA MORAIS DA SILVA
WELLYKA MORENO F. CAMELO
WEYLLANE FONTOURA AMARAL
WILLIAN RODRIGUES DE SOUSA


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Agora você pode ser sócio/a apoiador/a do Cajueiro


Muitas pessoas têm perguntado sobre como pode apoiar o Centro de Juventude Cajueiro. Organizamos um primeiro caminho para que você possa se tornar um/a sócio/a apoiador/a.

CLIQUE AQUI E FAÇA A SUA ADESÃO COMO SÓCIO-APOIADOR/A


Ao fazer os depósitos em nossa conta, precisamos de um comunicado contendo seus dados para nosso controle e prestação de contas. Nos comprometemos com a prestação de contas junto aos doadores/as, para que os mesmos possam acompanhar o destino de sua doação.

Desde já agradecemos a confiança na Equipe do Cajueiro e nos projetos que estamos propondo. Em outubro está previsto um Fórum de Planejamento. Esperamos suas sugestões.

Segue o edereço eletrônico para a comunicação com os/as sócios/as apoiadores/as soucajueiro@gmail.com

Hilário apresenta o livro Juventude - protagonismo e religiosidade


O pensar e o refletir “juventude” pode manifestar-se de diferentes formas: descrição de uma realidade geográfica ou social de jovens, análise de alguma pesquisa feita junto à juventude, pesquisa bibliográfica sobre juventude, desenvolvimento de algum aspecto no campo da formação de jovens, estudo histórico sobre a juventude, aprofundamento de visões de juventude, descrição da juventude de algum espaço específico, análise psicológica, cultural, antropológica etc. Tenho a honra e a alegria de apresentar Protagonismo e religiosidade da juventude na busca de outro mundo possível - pensados a partir do pulsar juvenil do Contestado – de Gilberto Tomazi que, de certa forma, é tudo isso.

Se quisermos encontrar uma obra que reflita juventude, em sentido amplo, de forma científica e comprometida, que vá além de uma descrição fria, temos esta obra de Gilberto Tomazi. Do título destacaria “Protagonismo”, “Religiosidade” e “pulsar juvenil do Contestado”, mas é muito mais. Parte-se de uma realidade concreta para nos defrontarmos com uma reflexão que é História da Juventude, é Filosofia, é Pedagogia no trabalho com a Juventude, é Sociologia e Sociologia da Juventude, é Teologia e é teológico, é realismo, é esperança, é encanto e é questionamento, é retomada e lançamento de perspectivas, é descrição e é revolta, é universal e, ao mesmo tempo, bem localizada. Diria, até, é uma espécie de enciclopédia. Nisso podem ajudar os subtítulos dos cinco capítulos.

Destacando algumas palavras que mais aparecem, a campeã é juventude, como não podia deixar de ser (1050 vezes); a segunda é Contestado, uma região do Estado de Santa Catarina, um campo de guerra no começo do século XX, conhecido de menos Brasil afora pelas mortes que houve (263 vezes). Gilberto já analisara a mística dessa revolta de oprimidos; agora toma a juventude nesse fato e dessa região como pano de fundo de suas reflexões. O Contestado é o ponto de partida.

Outras palavras importantes são 1. esperança (204 vezes), com tudo que isso significa, pensando em juventude. Um personagem importante, por isso, é Ernst Bloch (65 vezes); 2. religiosidade e mística que se apresentam, talvez sem querer, mas fruto da linha de reflexão de Gilberto, com quase o mesmo peso presencial (mais de 100 vezes). 3. Outra palavra que se apresenta é – de modo quase evidente – protagonismo não unicamente, mas também protagonismo juvenil, acompanhado pela palavra autonomia (29 vezes). 4. Se marxismo e socialismo aparecem, mais fortes são revolução e transformação, justificando o outro mundo possível, que parece fazer parte da utopia de Gilberto e da utopia da juventude que analisa. Aparece 25 vezes. 5. Com mais presença – como não podia deixar de ser – encontra-se a palavra rural, pois a região onde tudo acontece é realmente o mundo rural. 6. Outras palavras evidentes para Gilberto são Ação Católica (história) e Pastoral da Juventude, um dos espaços onde o autor se movimenta em sua militância. 7. Uma das palavras mais intensas, igualmente, é paradigma. Quem fala de juventude não pode deixar de lado essa realidade. Na obra o paradigma se iguala com utopia.

Entre os personagens do Contestado destacam-se João Maria, Maria Rosa e Adeodato, uns mais e outros menos tão jovens. Mas Gilberto recupera a lembrança de vários deles/as, com coragem e prudência porque, afinal, também nestes eventos dramáticos a juventude fica invisibilisada.

Gilberto começa com história: Referências históricas e míticas de jovens, não deixando de lado figuras latino-americanas (sempre abrindo links para a juventude do Contestado). Muito interessante como podemos ter contato com a história dos jovens na História refletida por alguém que pensa juventude. Se no capítulo cinco Gilberto pensa Jovens na busca de novos paradigmas, o capítulo anterior o autor o reserva para a religiosidade, a utopia e o protagonismo.  Com Gilberto o leitor vai e volta, mas sempre com novidade. Aliás, quando ele apresentava sua tese de doutorado para ser qualificada, estávamos frente a uma redação; na redação definitiva parecia estarmos frente a outra tese. É a grande capacidade do autor. Se olharmos a bibliografia que consta no final, fica evidente que Gilberto, além de olhar muito, leu muito para afirmar o que afirma. Pensando no exagero que pode parecer, Juventude - Protagonismo e religiosidade - pensado a partir do pulsar juvenil do Contestado é uma das melhores produções que temos, no Brasil, sobre juventude.

Prof. Dr.  P. Hilário Dick S.J.
São Leopoldo, agosto de 2013

Preuni Cajueiro inicia em agosto com mais de 300 inscrições



O projeto Pré-Universitário organizado pelo Centro de Juventude Cajueiro inicia em agosto.  As inscrições foram abertas no dia 1 até o dia 12 de agosto. Neste período 324 jovens solicitaram uma vaga.  O projeto pretende atender 50 jovens empobrecidos/as.

O projeto Pré-Universitário organizado pelo Centro de Juventude Cajueiro inicia em agosto.  As inscrições foram abertas no dia 1 até o dia 12 de agosto. Neste período 324 jovens solicitaram uma vaga.  O projeto pretende atender 50 jovens empobrecidos/as.

Para organizar este projeto contamos com a parceria de várias pessoas e grupos. Primeiro os/as educadores/as que se dispuseram a atuar como voluntários, recebendo uma contribuição para as despesas de passagens e outros gastos pessoais. Depois, dois grupos da Espanha, Promenor e o Projeto La Abuela. O Programa de extensão da PUC/Goiás, Proafro, que acolheu em suas dependências e, ainda, continuará oferecendo espaços para secretaria e sala de aula. O Coletivo Negro/IFG que contribuirá com parte dos materiais didáticos. Esta soma de esforços oferecerá aos jovens uma possibilidade de quebrar as barreiras que são impostas aos jovens empobrecidos/as, de modo especial afrodescendentes.

Contamos com a ajuda de profissionais da comunicação - CBN/Luiz Geraldo e de outros profissionais que não mediram esforços em nos apoiar neste projeto. Também, do Flávio da CAJU que atendeu várias ligações, no sábado, quando saiu o endereço equivocado para as ligações no Jornal Daqui. A comunicação em rede, assim como uma centenas de pessoas que compartilharam nas redes sociais e nas comunidades a informação.

A maior procura são jovens com renda abaixo de 2 salários, mulheres, afrodescendentes.  No dia 13, uma equipe – Graça, Carmem e Lourival – a partir de alguns critérios fez uma pré-seleção. Se torna impossível realizar uma seleção porque a maioria dos inscritos preenchem as exigências do projeto. Este exercício de ler os dados apresentados pelos/as jovens provoca angústia porque não é possível atender a toda esta demanda. Por isto, a exclusão de possibilidades para muitas pessoas.

Por outro lado, também revela que este projeto é fundamental para a vida da juventude empobrecida. Neste sentido,  a quantidade de pessoas inscritas desafia a todos nós porque revela os desejos de seguir os estudos e a busca de oportunidades.

Fizemos uma pré-seleção de 90 pessoas e enviamos uma mensagem com um novo questionário para que eles/elas nos ajudem  com outros critérios. Dia 15 pela manhã será a seleção final e na parte da tarde, será divulgada a lista das pessoas selecionadas para iniciar as aulas no dia 19 de agosto, na segunda feira. Também, estamos solicitando para que assumam conosco o projeto como parceiros/as deste caminho a ser percorrido neste segundo semestre.


Convidamos pessoas e instituições que desejam apoiar este e outros projetos do Centro de Juventude Cajueiro pode fazer sua doação a partir de nossa Campanha Sou Cajueiro se inscrevendo pelo correio eletrônico (e-mail) soucajueiro@gmail.com.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Criminalização na mídia é o livro lançado por Gardene Leão


Esta obra busca verificar como os jovens são significados pela mídia impressa goiana, analisando, especificamente, a cobertura do jornal Daqui, por este ser um importante veículo formador de opinião em Goiás, possuindo, atualmente, a maior tiragem de jornais impressos do Estado. Para analisar os enunciados do Daqui, utiliza-se como referencial teórico a Análise de Discurso Francesa, já que ela possibilita observar as construções históricas e ideológicas presentes em um discurso, considerando não apenas a materialidade linguística, como também sua exterioridade (condições históricas, sociais e ideológicas). A partir das análises feitas, pode-se perceber que o jovem pobre das periferias urbanas é representado nos enunciados do Daqui de forma estigmatizada, sedimentando um imaginário no qual a prática de seu extermínio parece ser aceita e autorizada. A cobertura do jornal dá grande espaço para assuntos relacionados à criminalidade e ao preconceito diante do jovem infrator ou usuário de drogas, sendo que temáticas como a cultura, o esporte, a educação, entre outras, raramente são abordadas. A cristalização desta memória permite que tais interpretações sejam tomadas como “verdades universais”, não possibilitando ao leitor outros tipos de significação, fazendo com que a violência seja considerada como algo comum e necessário para controlar jovens. Há na população uma crescente “crença” neste imaginário, que acaba sendo complacente com a situação de extermínio físico e simbólico de jovens pobres. Os enunciados produzidos pelo Daqui colaboram por cristalizar a aceitação de homicídios de jovens pobres, estimulando a criminalização, o preconceito e a invisibilidade dos mesmos. 

Sobre a autora: Gardene Leão é doutoranda em Sociologia pela UFG, Mestre em Educação pela PUC-Goiás, Pós-Graduada em Assessoria de Comunicação pela UFG, Pós-Graduada em Juventude no Mundo Contemporâneo pela FAJE e Graduada em Relações Públicas pela UFG.  Atualmente é professora efetiva do Curso de Relações Públicas na UFG, professora da Pós-Graduação em Juventude na PUC-Goiás, participa do Núcleo de Estudos de Criminalidade e Violência (NECRIVI), do Núcleo de Pesquisa em Teoria da Imagem (NPTI), do Projeto de Pesquisa “Jovem e Consumo Cultural em tempos de Convergência” e da pesquisa “Organizações Juvenis e Redes de Proteção Social em Goiás”, ambos vinculados à UFG. Contato: gardeneleao@gmail.com.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Inscrições aberta para o Pré-Universitário - Gratuito



CLIQUE AQUI E FAÇA SUA INSCRIÇÃO
O Cajueiro - Centro de Formação, Assessoria e pesquisa em Juventude em parceria com a Proafro/PUC e a Promenor oferece o Curso Pré Universitário, (parte do projeto La Abuela).



O Curso Preuni Cajueiro acontecerá a partir do dia 19 de agostode segunda a sexta das 19:30 as 22:00hs, no prédio da PUC no setor Universitário próximo a paroquia São João Evangelista,  as inscrições são gratuitas! A

O Curso Preuni Cajueiro está organizado dentro dos eixos - étnico racial com foco no projeto de vida do jovem empobrecido.  Organizado por eixos - Linguagens, natureza e sociedade. Tem como objetivo preparar jovens para superar barreiras que são impostas aos jovens empobrecidos como a entrada para o curso superior, educação de qualidade, trabalho decente, entre outras.

As INFORMAÇÕES podem ser feitas por telefones: (62)  Fale com a Graça.
OI - 8631.8557
TIM - 8285.4436
CLARO - 9422.6625
VIVO - 9640. 4618 
CLIQUE AQUI E FAÇA A SUA INSCRIÇÃO  ATÉ O DIA 12 DE AGOSTO.
SELEÇÃO SERÁ PUBLICADA NO DIA 15 DE AGOSTO NESTE BLOG.

Para quem não tem acesso ao computador:
As inscrições podem ser feitas, somente, no dia 12 de agosto (segunda feira)  na Sala da Proafro/PUC - Área II, bloco B, 1º andar, setor universitário.

O Curso pré- universitário visa contribuir na formação de sujeitos autônomos, por isto, o envolvimento dos/as jovens é fundamental.
O Curso é um esforço de muitos educadores/as que estão se colocando em um trabalho voluntário. Se você deseja participar ou contribuir para que este projeto com alguma contribuição financeira para que estes jovens possam ter acesso aos seus direitos veja como, entre em contato com soucajueiro@gmail.com. Você pode contribuir com cópias de textos, transporte, lanche.

Responsáveis pelo projeto - Maria das Graças, Janira Sodré, Lourival Rodrigues da Silva e Carmem L. Teixeira.




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Cajueiro do Cerrado Goiano: Flores e Frutos





Iniciamos o mês de agosto de 2013.  As mangueiras, cajueiros e várias outras árvores frutíferas do cerrado estão carregadas de flores, à espera da chuva. Assim estamos nós. Sabemos e imaginamos que cada um e cada uma estejam acompanhando os passos que temos dados enquanto cajueiros.

Queremos compartilhar algumas conquistas, fruto do esforço de tantas pessoas que desejam a vida da juventude.  O primeiro deles foi reunir as diferentes pessoas dispostas ao serviço à juventude, realização de assembleias de fundação, registro da ata e estatuto, abertura de contas em banco e tudo que envolve a criação de uma associação. O grupo realizou um retiro espiritual no Mosteiro da Anunciação sobre o lugar bíblico Betânia e celebrações na sede do Cajueiro.


A construção da sede Cajueiro na periferia pode ser traduzida em uma palavra – solidariedade. Casa pessoa ou grupo foi comunicando o que podia doar. Uma quantidade de gente se mobilizou para buscar, montar, organizar, limpar até culminar na celebração de agradecimento, no plantio do Cajueiro. Uma casa cheia de graça e presença de objetos que tem história.

Depois, no projeto de pesquisa e publicações, fizemos uma reunião a cada mês do grupo de estudo e pesquisa sobre a condição juvenil e realizamos um Seminário de Estudos: Juventude - educação, religião e violência e a participação em atividades sobre o tema.  Os materiais didáticos para os grupos de jovens e para assessores/as foram distribuídos com mais ou menos facilidade. Também foi traduzido, para o espanhol, o círculo bíblico para as comunidades a partir dos lugares bíblicos e publicado como material virtual, assim como Os 7 Vivenciais celebrativos – Nazaré, também, material divulgado de modo virtual. A Pastoral da Juventude Nacional publicou 20 mil exemplares do Projeto de Vida e, também, Na Trilha do Grupo de Jovens, da Rede Brasileira. O Cajueiro esteve neste processo, em especial na trajetória das pessoas que estão no centro.


No campo da comunicação, criamos a página do facebook e o blog cajueirocerrado. Foram criados, ainda, os correios eletrônicos,  a logo do cajueiro e divulgada com sua identidade. Igualmente confeccionamos camisetas institucionais. A tudo isso se acrescenta, também, a produção de materiais visuais para a divulgação das atividades.

A assessoria a grupos e instituições tem sido uma atividade que envolve várias pessoas do Cajueiro. Houve assessorias aos Municípios, Conselhos, a várias instâncias e grupo da Igreja do Brasil em nível nacional da PJ, nos regionais e dioceses para a formação de jovens, adultos tanto leigos como do clero. O Cajueiro mantém uma parceria com a Diocese de Goiás, ocasionando várias assessorias, como a Semana Missionária, em preparação à JMJ, acompanhamento do planejamento da Diocese nos vários âmbitos – paróquia, região e na diocese como um todo.


A questão ecumênica é muito importante para profissionais que querem estar a serviço da juventude empobrecida e, por isto, o grupo ecumênico e a realização da Semana da Unidade dos Cristãos foi realizada e o desejo de ampliar o Centro atendendo às religiões da juventude e o modo de esta se relacionar com o sagrado.

O toque final foi dado por um grupo de jovens grafiteiros. A cara do Cajueiro tem a cara da juventude dada pela juventude. Foi uma oficina organizada por um grupo de jovens, preparando a acolhida de jovens que vieram de nove países. Esse projeto de formação é chamado de Intercâmbio - “Missão Aprender” envolvendo várias pessoas e instituições. Foi um tempo de aprendizado para o nosso Centro de Juventude porque exigiu formação, administração, transporte, comunicação... Conhecer mais e melhor as pessoas da DKA e do IPJ porque a atividade foi realizada em parceria.

Também assumimos, no mês de julho, em parceria com vários grupos, como a Irmandade dos Mártires, Cáritas Brasileira, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Pastoral da Juventude, PNDE/ONU, JUFRA, Diocese de Goiás, Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude, Rede Latino-Americana de Pastoral da Juventude, Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, Oblatos de Maria Imaculada, entre outras, a Tenda das Juventudes e o Santuário dos Mártires da Caminhada como uma atividade da Jornada Mundial da Juventude, no Rio. A tenda aconteceu na Paróquia Santa Bernadete, na Zona Norte.

A realização do Curso de Formação de Lideranças Juvenis em modo semipresencial já iniciou o seu cronograma com a constituição das parcerias. O curso será em âmbito do Continente Latino-americano. O curso virtual, com encontros presenciais, terá como base os materiais publicados para grupos de jovens – Na Trilha do Grupo de Jovens; o enfoque pastoral será a partir dos lugares bíblicos. O projeto tem o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade. Está prevista a formação de assessores e coordenadores, também, na modalidade virtual.

O curso de pré-universitário Cajueiro iniciou em agosto, em parceria com grupos da Espanha e PUC/Pro-Afro. Será um projeto voltado para jovens empobrecidos, com atenção à questão racial. Ele irá acontecer na área II da PUC de Goiás.  

Elaboramos projetos financeiros para alguns projetos: Intercâmbio, Curso de formação de lideranças, Curso Pré-Universitário (Projeto La Abuela). Os valores recebidos pela Assessoria a outros grupos, algumas pessoas têm repassado de 30% a 40% para o caixa comum.  A venda das publicações está sendo reservada para a impressão de outros materiais ou a publicação de novos. Recebemos algumas doações financeiras de pessoas que nos permitiram manter, dar passos e pagar contas (telefone, energia, pintura, pedreiro, limpeza do espaço e quintal, comida para oficinas e reuniões, reuniões de grupos/equipes (bíblia, liderança, intercambio, comunicação, pesquisa...).

A equipe de coordenação eleita em assembleia tem-se encontrado com frequência para encaminhar a vida do Cajeiro. Por isto, no segundo semestre de 2013, além das atividades, o Centro de Juventude Cajueiro deseja continuar seu trabalho e organização:

1-      Organizar a assessoria do Cajueiro: Mapear as pessoas envolvidas com o Cajueiro a partir das experiências, assessorias, serviços e contribuições. Queremos ter nome, endereço, idade, formação, RG, CPF, de todo grupo (alguns já temos nos dados dos/as sócios fundadores). Que tipo de assessoria, formação e projetos tem acompanhado ou deseja atuar, contribuir na associação?
2-      Organização do Cajueiro como Centro: definir que tipo de organização desejamos (por projetos, por áreas, por programas, por núcleos ou outras modalidades?). Que forma nos possibilita estar mais a serviço dos jovens a partir da formação, assessoria, pesquisa?
3-      Fórum de Planejamento: realizar um encontro para articularmos e encaminhar as questões da organização, regimento e, também, definição das linhas de ação para o ano de 2014.  Para a realização deste Fórum está previsto o dia 06 de Outubro, das 8:00 as 17:30 horas, em local a ser confirmado.

Perguntamos: a) Como você percebe esses passos presentes e futuro?
  b) Qual a sua opinião?  
  Envie suas respostas para o centrocajueiro@gmail.com ou aqui no blog

Agosto de 2013.


Estatuto da Juventude agora é Lei 12.852/2013


Nós do Cajueiro estivemos presentes neste momento histórico. Acompanhamos este processo por mais de 10 anos. Agora somos testemunhas de mais um passo. Inicia outras batalhas na luta para garantir os direitos que agora são reconhecidos como lei. No link abaixo você pode baixar o Estatuto completo. Entender os vetos que foram feitos pela presidenta Dilma.

Veja as fotos da presença do CAJUEIRO


Segue o texto:

Com a presença de movimentos juvenis, conselheiros e gestores, o Estatuto da Juventude foi sancionado nesta segunda-feira (5/8) pela presidenta Dilma Rousseff, em evento no Palácio do Planalto. Com a publicação no Diário Oficial de hoje, terça-feira, o Estatuto virou lei e terá 180 dias para ser regulamentado. Na cerimônia de sanção, a secretária nacional de Juventude, Severine Macedo, destacou que a sanção ocorre no momento em que “a voz das ruas e da maior geração de jovens de nossa história reivindica mais direitos e novas formas de fazer política”. Segundo ela, isso só foi possível porque, ao contrário do que alguns dizem, esta juventude não é apática e nunca esteve adormecida. “Nestes quase dez anos de tramitação, jovens de todo o país reivindicaram um Estatuto que reconhecesse seus direitos em lei. Esta é uma juventude trabalhadora, que batalha cotidianamente para conciliar emprego, estudo, vida familiar e comunitária. Severine lembrou, ainda, que boa parte desses jovens também demanda a ampliação do acesso a uma educação de qualidade, enquanto outros lutam para se manter com qualidade de vida no campo. De acordo com a secretária, o Estatuto faz com que os direitos já previstos em lei, como educação, trabalho, saúde e cultura, sejam aprofundados para atender às necessidades específicas dos jovens, respeitando as suas trajetórias e diversidade, ao mesmo tempo em que assegura novos direitos, como os direitos à participação social, ao território, à livre orientação sexual e à sustentabilidade sejam assegurados pela legislação.

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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Minha participação na JMJ!


Jardel Santana*

Em outubro do ano passado escrevi um texto, intitulado Porque sou contra a Jornada Mundial da Juventude! (o texto pode ser acessado em http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=es&cod=71109).
Nesse período de 09 meses, houve algumas mudanças de conjuntura, nacional, internacional e eclesial. Para esse texto vou focar na conjuntura eclesial, pois tivemos a renúncia papal, o que não ocorria há mais de 06 séculos e também tivemos a eleição do primeiro papa latino-americano.
Assim como ocorrem mudanças conjunturais, também podem e devem ocorrer mudanças de posturas e opiniões pessoais e algumas que expressei no texto em outubro, reconheço que mudei. Dentre elas, posso destacar principalmente a opinião com relação ao papa. Felizmente, o papa Francisco, diferente de seu antecessor, vem demonstrando desapego às honras e glamour que o posto no qual está lhe dá. Concordo com Leonardo Boff, quando diz que o nome Francisco é mais que nome; sinaliza um outro projeto de Igreja na linha de São Francisco de Assis: ‘uma Igreja pobre para os pobres’ como disse, humilde, simples, com ‘cheiro de ovelhas’ e não de flores de altar. Por isso deixou o palácio papal e foi morar numa hospedaria, num quarto simples e comendo junto com os demais hóspedes” (http://cajueirocerrado.blogspot.com.br/2013/07/texto-publicado-na-adital-26072013-e.html).
Foi na esperança de continuar percebendo algumas mudanças, para uma igreja mais próxima aos pobres e mais revolucionária, a qual sai dos templos e vai às ruas, conforme pede o Papa Francisco, que me permiti vivenciar a experiência de participar da Jornada Mundial da Juventude – JMJ. Outro fator que me motivou a participar da JMJ foi a realização da Tenda das Juventudes e da Marcha Mundial ‘A juventude quer viver’, realizada pela Pastoral da Juventude – PJ, em parceria com diversos grupos e setores da igreja e da sociedade, dentre estes a Cáritas Brasileira e o CAJUEIRO – Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa em Juventude; pois o modelo de igreja proposto pela PJ, o que busca a Civilização do Amor, é o modelo que acredito e busco seguir. Também foi a esperança de ouvir o Papa Francisco anunciar mudanças no formato da JMJ que me motivaram a participar. Tal anúncio não ocorreu, mas ainda tenho a esperança de que o formato mudará, deixando de ser um megaevento.
Quando escrevi o texto ano passado, recebi inúmeras respostas, elogios e críticas. As críticas eram principalmente questionando se eu já havia participado de alguma Jornada, esses questionamentos me motivaram a participar e agora tenho mais base, para emitir opinião favorável ou desfavorável à Jornada. Recebi inúmeras críticas quando decidi participar da JMJ, dentre estas a de hipócrita, oportunista, a de que no texto que escrevi contra, afirmava que esse espaço não me representava e agora estava legitimando esse espaço, dentre outras, mas como disse no início do texto, com as mudanças de conjuntura, me permiti mudar de opinião, ao menos em alguns pontos.
Além da participação na Tenda e na Marcha, outro momento marcante para mim na JMJ, foi quando junto com jovens da PJ, da Cáritas, e do CAJUEIRO, realizamos em frente à igreja da Candelária a ciranda pela vida, fazendo memória aos 20 anos da chacina da Candelária, ocorrida em 23 de julho de 1993. Entretanto, mesmo tendo participado desses e de outros momentos que foram marcantes para mim, continuo me posicionando contra a JMJ, não mais como me posicionava antes, contra ela em si, mas sim contra o seu formato atual, pois no período que estive no Rio de Janeiro, pensei muito na cidade e nas pessoas que moram lá. Fiquei imaginando as pessoas que passam o dia trabalhando e ao final do dia não conseguem transporte para retornar para casa, não conseguem entrar em um restaurante e/ou lanchonete, devido à quantidade de pessoas, dentre outros inconvenientes, ou seja, a vida na cidade torna-se ainda mais difícil e isso não é apenas no Rio de Janeiro, pois acredito que nenhuma cidade no mundo está preparada para receber mais de um milhão de pessoas, de uma vez. Outro fator para eu ser contra o formato atual da JMJ, é que este não permite um processo formativo e uma inserção comunitária e também ao fato de, conforme disse um padre, a JMJ, no formato em que está não é da juventude e sim do Papa.
Penso que a JMJ não deve ser para e sim com e das juventudes, por isso defendo um formato diferente, em que se tenha a participação juvenil desde a organização até a realização e pensando em um formato possível vou relatar a experiência que tive na semana que antecedeu a JMJ. Na semana que antecedeu a JMJ, tive a alegria de participar de duas experiências extremamente marcantes, o I Encontro Internacional de Jovens da Cáritas e a Semana Missionária em Belo Horizonte, na Paróquia São Gaspar Bertoni. A participação no Encontro da Cáritas me permitiu conhecer melhor a dimensão do trabalho da Cáritas, no Brasil e na América Latina, bem como ter contato com jovens de diversos países da América Latina. Já a Semana Missionária, foi uma experiência de comunidade, na qual a juventude foi protagonista. Fomos acolhidos/as em casas de família da própria comunidade e a cada dia fazíamos experiências que nos permitia ter contato com a comunidade e a realidade local.
Acredito que a JMJ, poderia ser a Semana Missionária, considerando que essa propicia o contato com a comunidade e com jovens de diversos países e principalmente, pode proporcionar o protagonismo juvenil. Já que se quer ter a presença da figura do papa, ao invés de se fazer um megaevento com a presença dele, fazendo-o um pop-star, poderia se dividir em regiões e ele visitar cada uma das regiões. Por exemplo, no Brasil, teria a Semana Missionária em todas as paróquias, e poderia se escolher uma cidade/estado de cada região (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) para o Papa visitar, assim não haveria concentração em apenas um local e também não se faria um megaevento.
Tenho a esperança que o Papa Francisco, assim como está fazendo mudanças na estrutura da igreja, fará na JMJ também, e principalmente no papel dos/as jovens na igreja, permitindo que estes/as sejam mais protagonistas.
Também tenho a esperança de que o Francisco de Roma, será como o de Assis, “...homem das dores,[que] reconstrói a igreja pelo mundo afora, na fraternidade que traz a justiça, na revolução que anuncia a aurora”. Felizmente ele já está dando sinais de que vai nesse caminho!


*Estudante de Psicologia, militante dos direitos humanos, em especial das juventudes.

O Papa cristão[i]



Flávio Munhoz Sofiati[ii]

A presença do Papa Francisco no Brasil possibilitou que pudéssemos acompanhar de perto a postura do novo chefe máximo da Igreja Católica. Diferentemente de seus antecessores, trata-se de um Papa que fala mais de Jesus Cristo e menos da Igreja. Francisco está menos preocupado com o valor econômico da instituição e se esforçou em enfatizar a dimensão espiritual do catolicismo imbuída de seu compromisso social.

Mas em seus discursos e homilias ficou evidente que, do ponto de vista moral, suas posições ratificam o conservadorismo dogmático dessa instituição multinacional com mais de 2000 anos de história. Apesar de não ter dado ênfase a esses temas, Francisco se declarou contra qualquer tipo de legalização das drogas, além de ser contrário ao casamento homoafetivo, uso de camisinha e legalização do aborto.

É legítimo que as instituições religiosas defendam suas opiniões acerca dos temas da sociedade e que promovam seu proselitismo no intuito de converter fieis. O que não se pode mais aceitar é que as igrejas procurem impor suas ideias em formas de lei para os não religiosos, pois o Estado deve permanecer laico e respeitar o direito de todos os seus cidadãos. Se por um lado a Igreja Católica não aceita realizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, por outro ela não pode impedir que o direito e desejo dos casais homoafetivos sejam realizados em outras igrejas ou pelo próprio Estado em forma de casamento civil.

Apesar do discurso moralista, do ponto de vista social podemos notar novas atitudes do atual pontífice. Na chegada disse que não tinha nem ouro nem prata, mas trazia algo mais valioso, Jesus Cristo. Além disso, deu exemplo de simplicidade na estadia no Brasil: chegou em carro comum, dormiu em quarto igual ao dos outros membros de sua comitiva, comeu o que lhe foi servido sem muitas exigências e quis sempre que pôde estar próximo de seus seguidores.

Em seu curto pontificado, já é possível observar que a maior mudança foi a de postura, abandonando a luxuosidade que acompanhava os outros Papas, inclusive o Beato João Paulo II. Nesse percurso, o novo Papa tem demonstrado que a Igreja Católica precisa de mudanças significativas, mas até agora foram poucos os movimentos em direção às transformações concretas, desse modo, é preciso aguardar.

Uma hipótese é que o diferencial de Francisco seja em fazer algo muito parecido com que fez aquele ao qual ele anuncia. Jesus Cristo, assim como é descrito nos quatro Evangelhos do Novo Testamento, nunca impôs nada aos seus seguidores, mas ao contrário, procurou em sua curta passagem pela Terra dar exemplo. Nos anúncios, principalmente feitos em forma de parábolas, procurou passar alguns ensinamentos ao discípulos que após sua presença deram início ao catolicismo.

Talvez Francisco esteja fazendo a mesma coisa, ou seja, procura com seu exemplo transformar a estrutura milenar de uma Igreja que soube se colocar ao lado dos poderosos e reprimir todas as manifestações teológicas críticas aos preceitos da Santa Sé.

A questão que fica é se apenas com a conduta do Papa é possível produzir as mudanças necessárias para a instituição católica continuar sendo importante no contexto social no qual se coloca como alternativa, como no caso brasileiro. Por exemplo, quando anuncia que devemos ouvir os jovens para entender suas demandas, implicitamente fala aos políticos, mas também ao clero para que prestem atenção na ações do Papa e procurem segui-las.  Mas será que os bispos conseguirão mudar seus costumes e a lógica de pensar as dioceses como feudos, sendo eles verdadeiros príncipes desses territórios?

Para a América Latina, almeja-se um catolicismo que seja elemento de emancipação de um povo que luta contra a exclusão, em detrimento de uma instituição alienante que fala ao povo a partir da ótica das classes exploradoras.

Francisco pode ser de fato o Papa da ruptura, assim como acredita Leonardo Boff, um dos principais teólogos da libertação. No entanto, terá que produzir mudanças efetivas na estrutura da instituição. E talvez apenas o exemplo pessoal não seja suficiente para colocar a Igreja ao lado dos interesses dos explorados.







[i] Publicado no jornal O Popular em 01/08/13.
[ii] Professor de Sociologia da UFG e autor dos livros “Religião e Juventude: os novos carismáticos” e “Juventude Católica: o novo discurso da Teologia da Libertação”.